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Caso ocorreu domingo (7/12), no Morro São Bento, em Santos. Foi lá que, em novembro de 2024, a PM matou o menino Ryan da Silva Andrade Santos, de 4 anos. Familiares de Lincoln Vinicius Polidoro, de 29 anos, uma das vítimas, afirmam que os agentes chegaram atirando, sem qualquer aviso prévio

Na noite de domingo (7/12), dois homens foram mortos por policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) na Rua das Pedras, no Morro de São Bento, em Santos, no litoral paulista. Há um mês, um adolescente foi morto pela Polícia Militar no mesmo local, após suposta troca de tiros. Foi também lá que, em novembro de 2024, a PM paulista matou o menino Ryan da Silva Andrade Santos, de 4 anos, e Gregory Ribeiro Vasconcelos, de 17.
Testemunhas que estavam no local contaram à reportagem da Ponte que a ação não foi precedida por qualquer ataque. Segundo moradores, a viatura da Rota se aproximou do local e, sem aviso prévio, começou a disparar contra pessoas que estavam na rua. Lincoln Vinicius Polidoro, de 29 anos, e Gabriel Gois, 22, foram atingidos e morreram no local. Um terceiro homem, que segundo relatos correu até o local para ver se um dos atacados era seu filho, também teria sido atingido pelos militares e foi socorrido e levado ao hospital.
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Mary Caroline Polidoro, 30, irmã de Lincoln, conversou com a reportagem. Em desespero por não conseguir ver o corpo do irmão, ela relatou que policiais chegaram atirando, sem qualquer motivação. Lincoln havia acabado de ser pai, e deixa um filho de quatro meses.
A equipe responsável pelos disparos deixou o local, que passou a ser controlado por outros militares da Rota. As mortes ocorreram por volta das 19h, e moradores relatam que agentes proibiram a aproximação de familiares das vítimas ao local. Até às 23h30 nem a Polícia Civil, nem o IML haviam chegado ao local para retirar os corpos, e moradores e familiares seguiam proibidos de ver os homens mortos. Imagens obtidas pela Ponte mostram os corpos, cobertos com uma capa metálica, cercados por policiais.

Moradores relatam que PMs ameaçaram moradores
Após as mortes, moradores relatam, os militares agiram com violência contra as pessoas da comunidade, atirando bombas contra moradores que questionavam a ação. Em um dos vídeos gravados, moradores se escondem e dizem que um dos militares havia jogado “spray”.
Um vídeo feito por moradores mostra a chegada da Polícia Científica ao local das mortes e relata uma ameaça feita a uma moradora: “Chegou aqui ameaçando a menina que está com a gente, falou que ela vai ser a próxima”, diz a moradora.
A Ponte questionou a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) sobre a ação. Em nota, o órgão disse que um patrulhamento da Rota foi recebido a tiros e que os dois homens foram mortos em confronto – contrariando a que foi relatado pelos moradores, e que o terceiro homem atingido tentou “invadir a área preservada para a perícia e agredir os policiais”.
A nota não cita o uso de bombas, spray ou violência por parte dos militares da Rota, conforme relatado por moradores, nem a proibição de acesso de familiares aos corpos das vítimas.

Leia na íntegra a nota da SSP-SP:
Dois homens morreram e um ficou ferido após um confronto com policiais militares na noite de domingo (7) no bairro São Bento, em Santos. Policiais militares realizavam patrulhamento quando viram quatro indivíduos armados. Durante o acompanhamento os policiais foram recebidos a tiros. No confronto dois suspeitos morreram no local.
Posteriormente, um outro homem foi atingido ao tentar invadir a área preservada para a perícia e agredir os policiais. Ele foi socorrido ao Hospital Santa Casa, onde permaneceu sob cuidados médicos. O caso foi registrado na CPJ da cidade como morte decorrente de intervenção policial e resistência. O caso também é apurado por meio de Inquérito Policial Militar.


