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Mudanças na equipe marcam um novo momento do veículo, com duas mulheres negras assumindo pela primeira vez postos de chefia na Ponte
Há quase 12 anos, a Ponte Jornalismo faz uma escolha editorial clara: cobrir segurança pública e sistema de justiça a partir dos direitos humanos e das intersecções de raça, gênero e classe que atravessam as histórias que contamos.
Somos um jornalismo de causa. Um jornalismo que toma partido da vida, da democracia e das pessoas historicamente silenciadas — e que se mantém acessível a qualquer leitor, independentemente de renda ou lugar onde viva.
Desde 2014, quando a Ponte nasceu, o ecossistema do jornalismo mudou profundamente. Por conta do modelo de negócios das big techs, mecanismos de buscas e as redes sociais já não distribuem conteúdo como antes. A extrema direita passou a atacar abertamente o trabalho da imprensa. Uma pandemia global redefiniu prioridades e recursos. Ao mesmo tempo, algoritmos e inteligências artificiais passaram a mediar cada vez mais a circulação da informação, enquanto o financiamento para o jornalismo independente se tornou mais escasso.
Diante dessas transformações, a Ponte também precisou mudar.
Profissionalizamos nosso trabalho, aprofundamos nossa expertise nos temas que cobrimos e ampliamos o impacto das nossas reportagens. Ao longo desses anos, ajudamos a expor violações cometidas pelo Estado e contribuímos para a libertação de mais de uma centena de pessoas presas injustamente — gente que voltou a exercer o direito mais básico: o de ir e vir.
Também construímos um modelo de sustentabilidade com diferentes fontes de financiamento para garantir que esse jornalismo continue existindo, sempre preservando aquilo que é mais importante para nós: a independência editorial.
Essas transformações também se refletem na nossa equipe.
No início, éramos um grupo de jornalistas voluntários que aceitaram o desafio de construir algo que praticamente não existia no Brasil: um veículo dedicado a olhar para a segurança pública do ponto de vista das vítimas da violência de Estado.
A partir de 2017, passamos a estruturar uma equipe profissional remunerada. Nos anos seguintes, ampliamos funções e criamos áreas voltadas a audiência, relacionamento e sustentabilidade financeira. Temos orgulho de ver que jornalistas que passaram ou foram formados pela Ponte hoje são reconhecidos nacionalmente pelo trabalho comprometido que realizam.
Em 2026, a Ponte inicia um novo ciclo organizacional. Como parte desse movimento, anunciamos mudanças importantes na estrutura da nossa equipe.
Mudanças no time
O jornalista e cartunista Antônio Junião, cofundador da Ponte, assume o cargo de diretor executivo, responsável pelos desenvolvimento institucional, captação de recursos e gestão geral da organização.
Nascido em Campinas (SP), Junião é mestrando em Comunicação, Literatura e Cultura com pesquisa em jornalismo e cultura pelo PROLAM (Programa Interunidades em Integração da América Latina) USP. É especialista em Cultura, Educação e Relações Étnico-raciais pelo Celacc/USP e formado em Artes Visuais pela Unesp (Bauru). Atua no jornalismo ilustrado desde 1994 e já trabalhou para veículos como Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo, Veja e Courrier International, na França.
Recebeu o Prêmio Vladimir Herzog em 2005 e menção honrosa em 2006 na categoria artes. Em 2018, seu livro infantil Meu Pai Vai Me Buscar na Escola passou a integrar acervos de escolas e bibliotecas públicas pelo Programa Nacional do Livro Didático. Além da Ponte, é também um dos fundadores e organizadores do festival e Instituto FALA!.
A jornalista Jéssica Santos passa a ocupar o cargo de diretora de projetos especiais e marketing, área responsável por audiência, sustentabilidade financeira e desenvolvimento de novos projetos. Na Ponte desde 2020, Jessica se define como “filha e neta de mulheres negras”.
É jornalista formada pela extinta FAPSP (Faculdade do Povo), com MBA em Book Publishing pela Casa Educação. Participou do programa Women in News – Latam 2023 (WAN-IFRA) e do Periodismo Situado 2020/2021, da Revista Anfíbia. Em 2024, integrou o Top 50 jornalistas negros mais admirados do Brasil. Também é coautora, por mais de dez anos, da série Mestres da Reportagem e cofundadora e conselheira do Instituto Commbne.
O cargo de editora-chefe passa a ser ocupado pela jornalista Catarina Duarte, repórter da Ponte há dois anos. É a primeira vez que uma mulher negra assume essa posição na história da nossa equipe.
Catarina é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Antes de chegar à Ponte, foi repórter do NDmais e do NSC Total, onde produziu conteúdos para a CBN Floripa, NSC TV (afiliada da Globo em Santa Catarina) e para o g1 SC.
É vencedora do Prêmio Ministério Público do Trabalho (MPT) de Jornalismo na categoria Universitário, com a reportagem Cinco anos da PEC que garantiu direitos aos domésticos, e do Prêmio Elisabete Anderle 2020 com o livro Guia de receitas manezinhas, escrito em coautoria.
Completando as mudanças na equipe, a jornalista Mariana Rosetti assume o lugar de Catarina na reportagem.
Formada em Comunicação Social e Jornalismo, com pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal, Mariana já colaborou com veículos como Revista AzMina, Portal Catarinas, Gênero e Número, Ecoa UOL, Mongabay Brasil, Lunetas, Agência Pública, O Joio e o Trigo, ICL, BBC Brasil e Repórter Brasil. Também trabalhou por sete anos em televisão, como apuradora, produtora e chefe de reportagem. É fundadora do podcast Marias&Anas, dedicado a compartilhar vivências de mulheres diversas a partir de uma escuta sensível e crítica.
Além dessas mudanças, nossa equipe também conta com o trabalho de nossa diretora administrativo-financeira Maria Elisa Muntaner, nosso repórter Paulo Batistella e nosso fotojornalista Daniel Arroyo. Somos poucos, mas nosso trabalho é potente.
Desde a sua criação, a Ponte busca refletir na própria equipe a diversidade que defende em sua cobertura. Gente de quebrada, de diferentes cidades e trajetórias, trazendo perspectivas que enriquecem o jornalismo que fazemos.
Temos orgulho de chegar a este momento com mais pessoas negras em posições de gestão e decisão dentro da organização. Com a chegada de Mariana, passamos também a ter a maioria dos cargos ocupados por mulheres — três delas em posições de liderança.
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Compartilhamos essas mudanças com você, leitor e leitora que acompanha a Ponte, porque é para a sociedade que trabalhamos.
2026 começa com novos desafios e também com novos caminhos. Reunimos a equipe para construir um plano de trabalho que nos permita seguir fazendo aquilo que sempre guiou este projeto: contar histórias humanas com rigor, denunciar violações e ampliar vozes que historicamente foram silenciadas.
Em um cenário cada vez mais difícil para o jornalismo independente, seguimos apostando na mesma ideia que deu origem à Ponte: construir, todos os dias, uma ligação entre a realidade invisibilizada e o debate público.



