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HRW — Human Rights Watch | Observatório Internacional de Direitos Humanos
A decisão da polícia de Budapesteproibir umdemonstração para comemorar o Dia Internacional da Visibilidade Trans, não se trata de um único protesto, mas é o último passo de uma campanha mais ampla na Hungria para restringir reuniões pacíficas e silenciar vozes dissidentes.
Odecisão depende deLegislação de 2025 que permite restrições a eventos, incluindo protestos, associados a pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT). Ao longo do último ano, as autoridades húngaras restringiram sistematicamente a liberdade de reunião na sequência da adopção destas medidas pelo Parlamento, o queproibir eventos relacionados a LGBT sobre preocupações vagamente definidas sobre “proteção infantil”. Isto permitiu que as autoridades não só proibissem as marchas, mas também estigmatizassem aqueles que as organizam ou participam nelas, incluindo a apresentação de acusações criminais e a emissão de multas.
A tentativa da Hungria de suprimir a visibilidade encontrou resistência. Em junho de 2025, umpúblico recorde desafiou uma proibição e marchou para o Orgulho de Budapeste, transformando o evento numa demonstração mais ampla de valores democráticos. Esse momento sublinhou que as restrições aos direitos das pessoas LGBT são inseparáveis de ataques mais amplos ao Estado de direito e às liberdades fundamentais.
Em retaliação, as autoridades apresentaram acusações criminais por apoiarem os direitos LGBT contra osGrande Budapeste e um Organizador do Orgulho em Pécs. Esses casos estão atualmentesuspenso enquanto o Tribunal Constitucional da Hungria analisa a legislação de 2025, sublinhando tanto a gravidade das acusações como os riscos constitucionais.
Organizadores da manifestação pelos direitos transsão desafiadores a proibição policial. Seja qual for o resultado, demonstra que a negação selectiva dos direitos de reunião com base na identidade, mensagem ou política dos participantes faz parte de uma estratégia mais ampla e assustadora.
As autoridades húngaras insistem que estas medidas visam proteger as crianças. No entanto, não produziram provas credíveis de quaisquer impactos negativos. Além disso, as normas internacionais em matéria de direitos humanos são claras: as reuniões pacíficas não podem ser restringidas simplesmente porque um governo discorda do conteúdo de um protesto. Quando as proibições se tornam rotineiras e a aplicação se torna punitiva, a linha entre “regulação” e repressão desaparece.
A polícia deveria reverter a proibição. O que está em jogo não é apenas o direito das pessoas trans e dos seus aliados de se reunirem, mas o princípio mais amplo de que, numa democracia, a dissidência tem o direito de ser visível e protegida.
📌 Fonte original: Vigilância dos Direitos Humanos (HRW)
Este conteúdo foi produzido e publicado originalmente pela Vigilância dos Direitos Humanos (HRW) — organização internacional de defesa dos direitos humanos, sem fins lucrativos, com sede em Nova York (EUA). Todo o conteúdo é de propriedade da HRW e reproduzido aqui com fins jornalísticos e informativos. Para acessar o material original em inglês, acesse www.hrw.org.


