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HRW — Human Rights Watch | Observatório Internacional de Direitos Humanos

O governo dos Estados Unidos recentemente sanções levantadas sobre três altos funcionários do Mali ligados ao abusivo Grupo Wagner da Rússia, que poderão estar implicados em graves violações dos direitos humanos. A decisão sinaliza um desrespeito perturbador pelas atrocidades cometidasMaliconflito armado com grupos armados islâmicos.
Os três oficiais, o Ministro da Defesa Sadio Camara, o Chefe do Estado-Maior Alou Boï Diarra e o Vice-Chefe do Estado-Maior Adama Bagayoko da Força Aérea do Mali, foramsancionado em 2023 para facilitar as atividades do Grupo Wagner no Mali.De acordo com ao Departamento do Tesouro dos EUA na altura, os funcionários expuseram os malianos aos “abusos dos direitos humanos do Grupo Wagner” e ajudaram a facilitar “a exploração dos recursos soberanos do seu país”.
Desde 2012, grupos armados islâmicos têm travado uma insurgência contra sucessivos governos do Mali, atacando as forças de segurança ematando e deslocando dezenas de milhares de civis. Em resposta, as forças armadas do Mali conduziramoperações abusivas de contraterrorismoincluindoataques aéreos que têm como alvo civis. Os combatentes do Grupo Wagner, que opera sob o Ministério da Defesa da Rússia e foi rebatizado como Africa Corps em 2025, também foramimplicado emabusos generalizados contra civis duranteoperações conjuntas com as forças do Mali.
Apesar da escala dos abusos, a responsabilização no Mali continua limitada e as vias para a justiça a nível internacional estão em dificuldades.risco. A autoridade sancionadora dos EUA pode ser uma ferramenta poderosa para responsabilizar os violadores de direitos. Mas o levantamento das sanções sem uma responsabilização clara envia um sinal errado quando a impunidade para abusos graves continua generalizada.
A remoção destas sanções ocorre num momento em que Washington parece estar a procurar uma cooperação de segurança mais estreita com os governos da região africana do Sahel, incluindo o Mali. Em fevereiro, Nicholas Checker, alto funcionário do Departamento de Estado,conheci com o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Mali, Abdoulaye Diop, em Bamako, capital do Mali. Os EUA também estão supostamente perto de um acordo com o governo do Mali pararetomar as operações de inteligência no país que foram restringidos após os golpes militares de 2020 e 2021.
Desde que assumiu o poder em 2020, a junta militar do Maliapertado seu controle do poder, atrasando o retorno ao regime democrático civil, proibindo partidos políticos e visandoadversários, jornalistaseactivistas da sociedade civil.
Se os EUA se envolverem com o Mali na luta contra o terrorismo, terão de cumprir a lei e a prática dos EUA que restringem a assistência à segurança agovernos golpistas. Deve também garantir que não contribui para novos abusos contra civis malianos e que quaisquer medidas tomadas estão condicionadas a uma responsabilização significativa e à reparação das vítimas.
📌 Fonte original: Vigilância dos Direitos Humanos (HRW)
Este conteúdo foi produzido e publicado originalmente pela Vigilância dos Direitos Humanos (HRW) — organização internacional de defesa dos direitos humanos, sem fins lucrativos, com sede em Nova York (EUA). Todo o conteúdo é de propriedade da HRW e reproduzido aqui com fins jornalísticos e informativos. Para acessar o material original em inglês, acesse www.hrw.org.


