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Balkan Insight — Jornalismo Investigativo sobre os Bálcãs e Leste Europeu


Um novo estudo do UNFPA, a agência sexual e reprodutiva das Nações Unidas, publicado na quinta-feira, descobriu maus-tratos generalizados às mulheres durante o trabalho de parto ou parto nos Balcãs, na Europa Oriental e na Ásia Central.
O relatório destaca procedimentos realizados sem consentimento, como episiotomias, cesarianas ou administração de ocitocina. Afirma também que o abuso verbal de mulheres grávidas é comum e que as mulheres mais jovens, as mulheres economicamente vulneráveis e as mulheres com menor nível de escolaridade eram significativamente mais propensas a dizer que foram maltratadas.
“A pesquisa descobriu que dois em cada três entrevistados relataram pelo menos uma forma de maus-tratos. Isso inclui procedimentos médicos não consensuais, abuso verbal e físico e violações significativas de privacidade”, afirmou um comunicado do UNFPA.
Observou que, de todos os países inquiridos, “as taxas de insatisfação mais elevadas foram registadas entre os entrevistados dos Balcãs Ocidentais, especificamente da Albânia, Sérvia e Kosovo”.
O relatório, “Cuidados respeitosos à maternidade: experiências e perspectivas das mulheres na Europa Oriental e na Ásia Central”baseou-se num inquérito online a mais de 2.600 mulheres que deram à luz recentemente e foi realizado em 16 países.
“Estas descobertas são um forte alerta. Toda mulher tem direito ao mais alto padrão de saúde possível, que deve incluir cuidados dignos e respeitosos durante o parto”, disse Florence Bauer, Diretora Regional do UNFPA para a Europa Oriental e Ásia Central.
“A violência obstétrica não é apenas uma questão clínica; é uma violação dos direitos humanos que faz com que as mulheres se sintam impotentes e angustiadas, com impactos a longo prazo na sua saúde e bem-estar”, acrescentou Bauer.
Uma investigação pela BIRN em 2021 descobriu que o parto é frequentemente percebido como uma experiência traumática em países da Europa Central e Oriental.
Muitas mulheres que responderam a um questionário BIRN sobre a experiência do parto na Bósnia e Herzegovina, Albânia, Croácia, Grécia, Hungria, Kosovo, Montenegro, Macedónia do Norte, Roménia e Sérvia alegaram “negligência médica” ou queixaram-se da atitude do pessoal médico. No entanto, poucos disseram ter apresentado uma queixa oficial ou processado.
📌 Fonte original: Visão dos Balcãs
Este conteúdo foi produzido e publicado originalmente pelo Visão dos Balcãs — veículo de jornalismo investigativo especializado em reportagens sobre os Bálcãs e o Leste Europeu, integrante da Rede de Jornalismo de Crime Organizado e Corrupção (OCCRP). Todo o conteúdo é propriedade da Balkan Insight e reproduzido aqui com fins jornalísticos e informativos. Para acessar o material original em inglês, acesse balkaninsight. com.

