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HRW — Human Rights Watch | Observatório Internacional de Direitos Humanos

O Tribunal Africano dos Direitos Humanos e dos Povos está preparada para emitir um parecer consultivo sobre as obrigações dos Estados em matéria de direitos humanos na crise climática. Esta é uma oportunidade para reforçar a protecção das pessoas deslocadas pelas alterações climáticas e para apelar a uma abordagem que respeite os direitos.
UMpetição protocolado em maio de 2025 pelo União Pan-Africana de Advogados e a Plataforma Africana para o Clima pediu ao tribunal que interpretasse as obrigações dos Estados ao abrigo da Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos à luz das alterações climáticas. Isto ocorre em meio a um aumento em tais esclarecimentos legais por parte deinternacional eregional tribunais.
A Human Rights Watch apresentou um amigo breve ao tribunal com base em nosso relatório de agosto de 2025, “‘Esperando por Deus’: Deslocamento por enchente e realocação planejada de pescadores em Saint-Louis, Senegal.” As inundações costeiras de 2015 e 2016 deslocaram famílias de pescadores da península de Langue de Barbarie, em Saint-Louis, para Khar Yalla, um local que o governo e funcionários do Banco Mundial reconhecem ser inadequado para habitação permanente.
Descobrimos que quase uma década após as cheias, as famílias sofreram com uma grave sobrelotação, a maioria das casas não tinha electricidade, não havia recolha de resíduos e as cheias sazonais enviavam água séptica para as casas. Estas famílias estão excluídas de uma realocação planeada, financiada pelo Banco Mundial, de outras pessoas deslocadas pelas inundações costeiras, e estão desesperadas pelo tipo de protecção que este parecer consultivo poderia deixar claro que são obrigações do Estado.
Baseado emdados Segundo o Centro de Monitorização dos Deslocados Internos, o número de pessoas deslocadas internamente devido a cheias e outros desastres naturais aumentou quase seis vezes em todo o continente africano nos últimos 15 anos, para 6,3 milhões em 2023. As deslocalizações planeadas já estão a acontecer em toda a África, com 39 casos identificados nummapeamento global.
As decisões de 2025 doTribunal Internacional de Justiça e oCorte Interamericana de Direitos Humanos cimentou a noção de que a política climática deve respeitar os direitos humanos, ser orientada pela melhor ciência disponível e refletir o mais alto nível de ambição de um Estado. Mas nenhum tribunal internacional esclareceu de forma abrangente como as políticas nacionais podem proteger os direitos das comunidades deslocadas pelo clima que aguardam realocações planeadas.
O tribunal deve abordar esta lacuna crítica para comunidades como Khar Yalla, clarificando que os Estados Partes na Carta Africana têm obrigações vinculativas para proteger as pessoas deslocadas pelas alterações climáticas, incluindo através da relocalização planeada que respeita os direitos, como último recurso.
📌 Fonte original: Vigilância dos Direitos Humanos (HRW)
Este conteúdo foi produzido e publicado originalmente pela Vigilância dos Direitos Humanos (HRW) — organização internacional de defesa dos direitos humanos, sem fins lucrativos, com sede em Nova York (EUA). Todo o conteúdo é de propriedade da HRW e reproduzido aqui com fins jornalísticos e informativos. Para acessar o material original em inglês, acesse www.hrw.org.

