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HRW — Human Rights Watch | Observatório Internacional de Direitos Humanos

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A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, e o parceiro de coalizão do Partido Liberal Democrata, o Partido da Inovação do Japão, disseram em 17 de março que apresentariam uma lei proibindo a profanação da bandeira nacional durante a sessão da Dieta em andamento.
Atualmente, o código penal do Japão apenas considera crime danificar bandeiras estrangeiras, o que as duas partes descreveram em seuAcordo de coalizão de outubro como uma “contradição” que eles se comprometeram a “corrigir”.
Para Takaichi, a aprovação desta lei tem sido um objetivo político de longa data. Em 2012, quando o Partido Liberal Democrata estava na oposição, ela tentoualterar o código penal e criminalizar a “danificação, remoção ou desfiguração” da bandeira japonesa “com a intenção de insultar o Japão”. O projeto de lei, que incluía penas de até dois anos de prisão e multa de até 200 mil ienes (US$ 2.500), foi rejeitado. Delasegunda tentativa em 2021 também não teve sucesso.
O Comité Humano das Nações Unidas, num Comentário Geral sobre a liberdade de expressão, expressou preocupação relativamente a leis sobre questões como “desrespeito por bandeiras e símbolos”.
Nos Estados Unidos, leis semelhantes foram consideradas inconstitucionais. Em 1984, Gregory Lee Johnson foipreso e acusado depois que ele queimou uma bandeira dos EUA para protestar contra as políticas do presidente Ronald Reagan. A Suprema Corte dos EUA decidiu que a queima de bandeiras é uma forma de liberdade de expressão protegida pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA. Cinco anos mais tarde, o Congresso dos EUA aprovou a Lei de Protecção da Bandeira de 1989, que tornou a profanação da bandeira dos EUA um crime, mas em 1990, o Supremo Tribunalgovernou a lei “inconsistente com a Primeira Emenda”.
Alguns governos usaram leis contra a profanação de bandeiras para reprimir a dissidência. Por exemplo, em Hong Kong, duas leis que criminalizam a profanação da bandeira nacional da China e da bandeira regional de Hong Kong têm sido utilizadas há muito tempo contra activistas democráticos. Em 2019, um tribunal de Hong Kong condenou uma menina de 13 anos a 12 meses de liberdade condicional por queimar uma bandeira chinesa durante um protesto pró-democracia. O activista pela democracia Koo Sze-yiu foi condenado pelo menos oito vezes por violar as leis anti-bandeira.
Embora a coligação governante do Japão ainda não tenha apresentado o seu projecto de lei, essas leis têm de ser consistentes com o direito internacional em matéria de direitos humanos, nomeadamente o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos. É difícil imaginar uma lei contra a profanação de bandeiras que cumpra os seus rigorosos padrões.
📌 Fonte original: Vigilância dos Direitos Humanos (HRW)
Este conteúdo foi produzido e publicado originalmente pela Vigilância dos Direitos Humanos (HRW) — organização internacional de defesa dos direitos humanos, sem fins lucrativos, com sede em Nova York (EUA). Todo o conteúdo é de propriedade da HRW e reproduzido aqui com fins jornalísticos e informativos. Para acessar o material original em inglês, acesse www.hrw.org.

