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OCCRP — Projeto de Denúncia de Crime Organizado e Corrupção

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Jogos de futebol foram cancelados e escolas permaneceram fechadas na segunda-feira, depois que uma onda de violência eclodiu no oeste do México após o assassinato de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, o suposto fundador do Cartel da Nova Geração de Jalisco, em uma operação de segurança que as autoridades disseram ter sido realizada com o apoio da inteligência dos EUA.
Alguns especulam que as preocupações de segurança relacionadas com o Campeonato do Mundo de 2026, que terá lugar neste Verão, podem ter motivado a operação, uma vez que a cidade de Guadalajara – que se acredita estar sob forte influência do cartel – deverá acolher alguns dos jogos.
Poucas horas depois da operação, supostos membros do cartel montaram bloqueios de estradas, incendiaram veículos e atacaram empresas em Jalisco e nos estados vizinhos, entrando em confronto com as forças de segurança e paralisando os transportes. À noite, as autoridades relataram 252 bloqueios em todo o país, a maioria dos quais foram posteriormente eliminados, embora o número mais elevado estivesse concentrado em Jalisco.
Quatro partidas de futebol foram canceladas devido a relatos de violência e bloqueios em Guadalajara, Puerto Vallarta e arredores. Aeroporto de Puerto Vallarta cancelado todos os voos internacionais e a maioria das partidas domésticas, enquanto transportadoras incluindo American Airlines, United Airlines, Delta Air Lines e Air Canadá suspendeu dezenas de rotas. O Ministério das Relações Exteriores Britânico e o Embaixada dos EUA alertou os viajantes para permanecerem em ambientes fechados e evitarem movimentos não essenciais devido a incidentes de segurança em andamento.
A Secretaria de Defesa Nacional do México disse que as tropas tentaram prender Oseguera na cidade de Tapalpa, mas foram atacadas e responderam ao fogo. Quatro membros do cartel foram mortos no local e outros três morreram após serem feridos, incluindo Oseguera, segundo o comunicado.
O jornal nacional O dia informou que 26 pessoas morreram na operação, mas o número ainda não foi confirmado oficialmente.
As autoridades disseram que a operação foi conduzida “no âmbito da coordenação e cooperação bilateral” com os Estados Unidos. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Washington forneceu apoio de inteligência, chamando Oseguera de “um traficante infame” e um grande traficante de fentanil para os Estados Unidos. O embaixador dos EUA, Ronald Johnson, elogiou o esforço conjunto.
A presidente mexicana Claudia Sheinbaum pediu calma e disse que as forças federais e estaduais estavam totalmente coordenadas, enquanto o governador de Jalisco, Pablo Lemus, descreveu a situação como crítica e ordenou o fechamento de escolas em todo o estado.
Oseguera foi indiciado diversas vezes nos Estados Unidos por tráfico de drogas e recebeu uma recompensa de US$ 15 milhões. As autoridades americanas descreveram a sua organização como um importante fornecedor de fentanil e outros narcóticos.
Analistas de segurança disseram que a retaliação rápida e coordenada ressaltou o alcance operacional do cartel e alertaram que sua morte poderia desencadear uma violenta luta pela sucessão. Eduardo Guerrero, diretor da Lantia Intelligence, disse que ainda não está claro se algum sucessor em potencial também foi morto. “Temos que esperar para saber os nomes dos mortos para saber se haverá uma mudança na liderança”, disse ele.
Guerrero acrescentou que a pressão ligada aos preparativos para a Copa do Mundo FIFA de 2026, que o México será co-sede, pode ter acelerado o momento da operação.
“Acho que algo aconteceu nos últimos dias que forçou de certa forma o governo mexicano… a tomar esta decisão”, disse Guerrero, sugerindo que as preocupações com a segurança do torneio podem ter desempenhado um papel.
Ele acrescentou que se os grupos criminosos controlassem efetivamente Guadalajara e áreas vizinhas, as autoridades externas poderiam ter questionado se os jogos deveriam prosseguir. “Simplesmente não era aceitável realizar jogos em uma cidade praticamente tomada por um grupo criminoso, certo?” ele explicou.
Não agir, disse ele, correria o risco de sinalizar fraqueza face ao crime organizado.
Fonte original: OCCRP – Projeto de Denúncia de Crime Organizado e Corrupção | Publicado sob licença Creative Commons CC BY 4.0


