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HRW — Human Rights Watch | Observatório Internacional de Direitos Humanos

Em março, A França notificou o Conselho da Europa está se estendendo até seus territórios ultramarinos as obrigações decorrentes da Carta Social Europeia – um tratado do Conselho da Europa que garante os direitos sociais e económicos fundamentais.
Esta medida há muito esperada põe fim a uma anomalia jurídica e a uma injustiça estrutural que excluía milhões de pessoas que viviam sob a jurisdição francesa, mas em territórios ultramarinos. Reforçará o escrutínio do cumprimento por parte da França destas obrigações de direitos e ajudará a corrigir o tratamento desigual entre territórios enraizados na legado colonial do país.
A Human Rights Watch tem documentado o impacto das profundas desigualdades estruturais em Mayotte, um território ultramarino francês no Oceano Índico. Mayotte é a região mais pobre de França, com mais de 75% da sua população a viver abaixo do limiar da pobreza. Milhares de crianças não têm acesso à educaçãocom mais de 15.000 fora da escola. Os inscritos enfrentam frequentemente escolas sobrelotadas onde os seus direitos não são respeitados, incluindo o acesso à água potável, ao saneamento, à alimentação nutritiva e a um ambiente de aprendizagem seguro. As crianças que vivem em assentamentos informais, as de famílias migrantes e as crianças com deficiência são particularmente afetadas.
A Carta, amplamente considerada como “a Carta” da Europaconstituição social“, complementa a Convenção Europeia dos Direitos Humanos. Até agora, a França manteve-se à parte de países como os Países Baixos, Portugal, Espanha e o Reino Unido, que já tinham alargado estas proteções –pelo menos em parte– aos seus territórios ultramarinos. Sociedade civil organizações têm muito criticado esta exclusão priva milhões de pessoas de acesso a estes direitos e às suas salvaguardas.
A extensão abre dois caminhos importantes para a supervisão. A França será agora obrigada a apresentar um relatório sobre a implementação nestes territórios ao Comité Europeu dos Direitos Sociais. Adicionalmente, sociedade civil organizações podem trazer reclamações coletivas onde identificaram violações.
No entanto, apesar da melhoria da protecção do direito das crianças à educação proporcionada pela extensão da Carta, o problema central permanece: em França, a educação é obrigatória para crianças dos 3 aos 16 anos, mas milhares de pessoas em Maiote continuam excluídas. Isto é o resultado não só de inadequações da lei, mas também de financiamento, implementação e apoio. As autoridades francesas deveriam agir urgentemente para resolver estas falhas estruturais que já atrasaram o crescimento de tantas pessoas em Maiote. Se não o fizerem, pelo menos agora as crianças de Maiote poderão utilizar os poderes desta Carta para os responsabilizar.
📌 Fonte original: Vigilância dos Direitos Humanos (HRW)
Este conteúdo foi produzido e publicado originalmente pela Vigilância dos Direitos Humanos (HRW) — organização internacional de defesa dos direitos humanos, sem fins lucrativos, com sede em Nova York (EUA). Todo o conteúdo é de propriedade da HRW e reproduzido aqui com fins jornalísticos e informativos. Para acessar o material original em inglês, acesse www.hrw.org.



