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HRW — Human Rights Watch | Observatório Internacional de Direitos Humanos

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O mais alto tribunal do mundo afirmou: combater as alterações climáticas não é uma escolha: é uma obrigação legal. Agora cabe à Assembleia Geral das Nações Unidas manifestar-se e instar os seus 193 países membros a agirem.
Milhões de pessoas em todo o mundo já perderam as suas casas, meios de subsistência e vidas devido às alterações climáticas. É vital que os estados tomem medidas.
Em julho de 2025, o Tribunal Internacional de Justiça emitiu um marco unânimeParecer Consultivo sobre as obrigações dos Estados ao abrigo do direito internacional para fazer face às alterações climáticas. O Tribunal decidiu que os estados são legalmente obrigados a proteger o sistema climático, prevenir danos transfronteiriços e regular as atividades que geram emissões de gases com efeito de estufa. O tribunal também deixou claro que não agir em relação às alterações climáticas pode violar os direitos humanos, incluindo os direitos à vida, à saúde, à alimentação, à água, à habitação e à cultura.
A Human Rights Watch temdocumentado como a produção de combustíveis fósseis prejudica as comunidades em todo o mundo, especialmente aquelas que vivem perto das suas infra-estruturas. A opinião do tribunal torna explícito que os governos têm deveres legais para lidar com esses danos.
Vanuatu, juntamente com um grupo inter-regional de países, distribuiu um projecto de resolução da Assembleia Geral da ONU para motivar os países membros a transformar as conclusões do tribunal em acção. Na prática, isto significa instar os estados a adoptarem planos climáticos nacionais mais fortes, a eliminarem gradualmente os combustíveis fósseis e a protegerem melhor as comunidades deslocadas pelas alterações climáticas. Também propõe mecanismos para documentar e rastrear as perdas que as comunidades já sofrem.
A Assembleia Geral tem um histórico de traduzir opiniões consultivas em resoluções que exigem ação por parte dos governos. Os EUA, apoiados por estados produtores de petróleo no Golfo, entre outros, instaram Vanuaturetirar a resolução. Mas o Estado insular do Pacífico, ele próprio ameaçado pela subida do nível do mar, recusou. Vanuatu e os seus parceiros têm trabalhado arduamente para acomodar uma série de preocupações de diferentes países, incluindo da União Europeia, que recuou numa interpretação mais abrangente do parecer consultivo.
A Human Rights Watch e os seus parceiros estão incitando que os governos se envolvam de forma construtiva nas consultas em curso e votem a favor da resolução. É imperativo que resistam aos esforços para diluir os seus elementos fundamentais, especialmente aqueles que protegem os direitos humanos, o direito internacional e o avanço da cooperação internacional em matéria de alterações climáticas.
📌 Fonte original: Vigilância dos Direitos Humanos (HRW)
Este conteúdo foi produzido e publicado originalmente pela Vigilância dos Direitos Humanos (HRW) — organização internacional de defesa dos direitos humanos, sem fins lucrativos, com sede em Nova York (EUA). Todo o conteúdo é de propriedade da HRW e reproduzido aqui com fins jornalísticos e informativos. Para acessar o material original em inglês, acesse www.hrw.org.


