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Por Catarina Duarte
Policial foi filmado durante protesto em unidade estadual; entidade denuncia uso de spray de pimenta e cassetetes e detenção de alunos
Um policial militar agrediu integrantes de uma entidade estudantil e estudantes dentro da Escola Estadual Senor Abravanel, no Largo do Machado, no Catete, zona sul do Rio de Janeiro, na manhã desta quarta-feira (25). Um vídeo registrou o momento em que o agente desfere socos e tapas contra ao menos duas pessoas. Segundo a Associação Municipal dos Estudantes do Rio de Janeiro (AMES-Rio), três integrantes foram detidos na ação.
Nas imagens, o policial — que usava farda do Batalhão de Choque e seria um subtenente — afirma que mandará apreender o celular da pessoa que filma a situação e diz que vai “cortar” parte do vídeo. Ao lado dele, uma pessoa responde que não irá apagar a gravação e que o conteúdo será divulgado integralmente. Em seguida, como mostram as imagens, começam as agressões: o PM dá tapas no rosto de uma pessoa e, na sequência, um soco em outra, que cai no chão. O agente volta a agredir a primeira pessoa.
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Uma das pessoas agredidas é Marissol Lopes, de 20 anos, presidente da AMES. Em vídeo divulgado pelo deputado federal Tarcísio Motta (PSOL), ela afirma ter sido atingida com dois tapas no rosto e com spray de pimenta durante a ação policial.
Em nota publicada nas redes sociais, a AMES-Rio informou que o caso ocorreu na unidade durante um protesto organizado por estudantes. Segundo a entidade, os representantes foram chamados por alunos para apoiar um abaixo-assinado que pedia o afastamento de um professor acusado de assédio na escola.
A presidente da entidade afirma que havia uma autorização da Secretaria de Educação para entrada no local. Ainda assim, segundo ela, a Polícia Militar foi acionada e não houve tentativa de diálogo. “Apesar de pedir calma e apresentar a autorização, não houve diálogo nenhum e a polícia agiu com uma truculência inaceitável”, afirmou.
A entidade também relata que, além das agressões registradas no vídeo, houve uso de cassetetes e spray de pimenta contra os estudantes. De acordo com a AMES-Rio, um dos agredidos teve a camiseta rasgada antes de ser detido.
“Os policiais não foram para resolver o caso denunciado, mas para reprimir os estudantes que se manifestaram de forma legítima”, afirmou a entidade.
O que dizem as autoridades
A Ponte procurou a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro e a Polícia Militar, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem.
Em nota ao g1, a Polícia Militar informou que abriu procedimento na Corregedoria para apurar a conduta do agente flagrado nas imagens e que o policial foi identificado, será encaminhado à Polícia Judiciária Militar e já foi afastado preventivamente do serviço nas ruas. A corporação afirmou ainda que irá apurar o caso com “atenção e transparência”.
Já a Secretaria Estadual de Educação afirmou que lamenta o ocorrido e disse não compactuar com qualquer forma de violência no ambiente escolar. Segundo a pasta, a direção da unidade acionou a Polícia Militar de forma preventiva durante o protesto, com o objetivo de garantir a segurança e preservar o diálogo. A secretaria também declarou que prestará apoio aos estudantes envolvidos e reforçou que a atuação em escolas deve seguir protocolos e respeitar a comunidade escolar.
Texto originalmente publicado em Ponte Jornalismo

