A comissão criada para investigar a violência durante e após as eleições gerais de Outubro de 2025 na Tanzânia apresentou as suas conclusões à Presidente Samia Suluhu Hassan em 23 de Abril, mas perdeu uma oportunidade de estabelecer toda a verdade e lançar as bases para a responsabilização.
O presidente da comissão, Mohamed Chande Othman, disse que a comissão documentou 518 mortes em 11 regiões, observando que o número pode não ser conclusivo e não pode confirmar relatos da mídia sobre valas comuns. O relatório completo tem não foi divulgado.
A comissão relatou alegações de vítimas e testemunhas de que agentes de segurança dispararam, feriram ou mataram pessoas nas suas casas e lojas. Estas conclusões são consistentes com a Human Rights Watch relatórios que algumas pessoas mortas ou feridas por agentes da polícia não estiveram envolvidas em protestos. Mas Othman não avaliou de forma significativa a legalidade da conduta das forças de segurança ou os padrões de alegado uso ilegal da força. Ele disse que esta questão merece uma “investigação” mais aprofundada, mas não especificou o que tal investigação implicaria.
A comissão fez algumas recomendações positivas, incluindo a garantia do acesso a serviços médicos gratuitos para pessoas feridas que ficaram com deficiência e a atribuição de recursos para apoio psicossocial ou de saúde mental. Recomendou também a promoção de mecanismos para que o governo responda melhor às preocupações dos cidadãos e fortaleça o campo de atuação para todos os atores políticos.
Em resposta, o Presidente Hassan disse o governo estabeleceria um órgão para investigar o alegado planeamento, coordenação e financiamento dos protestos. Mas ela não abordou a conduta das forças de segurança, apesar da gravidade das alegações e expressões de preocupação pela Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos.
Os parceiros internacionais da Tanzânia devem deixar claro que as autoridades tanzanianas ainda não realizaram uma investigação exaustiva e muito necessária sobre o papel das forças de segurança na violência relacionada com as eleições e devem manter pressão sobre as autoridades para que façam justiça e responsabilização.
Quaisquer futuras investigações devem investigar explicitamente o papel das forças de segurança e os relatos de valas comuns, operar de forma independente e transparente e incluir conhecimentos especializados internacionais ou regionais para fortalecer a confiança do público. Mais imediatamente, o governo deveriafazero relatório completo da comissão será público.
📌 Fonte original
Este conteúdo foi produzido e publicado originalmente pela HRW (Human Rights Watch) — organização internacional de defesa dos direitos humanos, sem fins lucrativos, com sede em Nova York (EUA). Reproduzido aqui com fins jornalísticos e informativos.
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