A morte de Armen Hovhannisyan por suicídio, em 16 de Maio, horas depois de a polícia arménia o ter transferido para uma instituição psiquiátrica, deverá levar a um exame urgente da forma como as autoridades respondem às pessoas em sofrimento psicossocial.
A polícia em Artashat, a cerca de 30 quilómetros de Yerevan,detido Hovhannisyan depois de supostamente ter rasgado um cartaz de campanha eleitoral. As autoridades abriram processos criminais por “obstruir ou coagir a participação em atividades de campanha”. De acordo com informações oficiais, enquanto Hovhannisyan estava num centro de detenção policial em 16 de maio, os agentes observaram o que descreveram como “comportamento mentalmente desequilibrado” e chamaram uma ambulância. Posteriormente, ele foi transferido para uma instituição psiquiátrica em Yerevan, onde as autoridades disseram que ele morreu por suicídio naquele dia.
Mas o relato oficial deixa questões críticas sem resposta. As autoridades não disseram porque é que a polícia considerou necessária a detenção, durante quanto tempo Hovhannisyan esteve sob custódia, em que condições foi detido ou se consultou um médico ou advogado, que apoios e salvaguardas foram criados para proteger os seus direitos, ou a base para a sua transferência para uma instituição psiquiátrica.
Essas lacunas são importantes. O contacto com o sistema de justiça criminal não deve culminar na perda de vidas ou envolver respostas de saúde mental punitivas, coercivas ou sem apoio.
As autoridades disseram que abriram uma investigação criminal sobre a morte de Hovhannisyan. Como parte disso, deveriam determinar se a detenção de Hovhannisyan, o tratamento sob custódia e qualquer intervenção psiquiátrica cumpriam as normas internacionais, incluindo as proibições de detenção arbitrária, a privação de liberdade com base na deficiência e a exigência de que o tratamento se baseasse no consentimento livre e informado.
O caso também aponta para um problema mais amplo. A Arménia há muito que confiarespostas institucionais e punitivas para pessoas com deficiências psicossociais, enquanto o apoio comunitário à saúde mental, os serviços de resposta a crises e a assistência jurídica acessível continuam a ser inadequados.
A Arménia é parte na Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que exige que as autoridades respeitem a capacidade jurídica, proporcionem adaptações razoáveis e garantam a não discriminação das pessoas com deficiência em todas as fases dos processos de justiça penal.
Isto aponta para a necessidade de uma investigação mais ampla do que uma investigação criminal, capaz de abordar falhas estruturais, incluindo lacunas na formação, supervisão e responsabilização nas respostas da aplicação da lei às pessoas com deficiência psicossocial, bem como a falta de apoio acessível e baseado em direitos fora das instituições. Uma investigação eficaz deverá identificar não só o que aconteceu neste caso, mas também o que precisa de ser mudado para evitar mortes semelhantes.
📌 Fonte original
Este conteúdo foi produzido e publicado originalmente pela HRW (Human Rights Watch) — organização internacional de defesa dos direitos humanos, sem fins lucrativos, com sede em Nova York (EUA). Reproduzido aqui com fins jornalísticos e informativos.
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