Esta semana, um tribunal nas Filipinas rejeitou as acusações de financiamento do terrorismo contra a Community Empowerment Resource Network (CERNET), uma organização não governamental com sede na província de Cebu que trabalha com grupos marginalizados para promover direitos económicos, sociais e culturais.

As autoridades filipinas abriram vários casos sob oLei de Prevenção e Supressão do Financiamento do Terrorismo de 2012 contra activistas dos direitos humanos e sociedade civil grupos numa aparente tentativa das autoridades de serem retiradas da “lista cinzenta” deum órgão de fiscalização global do financiamento do terrorismo e do branqueamento de capitais o Grupo de Acção Financeira. Estar na lista cinzenta significa, entre outros impactos, dificuldade de acesso aos mercados financeiros internacionais e danos à reputação das Filipinas.

Em um declaração após a decisão do tribunal, Oliver Gimenez, presidente do conselho do CERNET, disse que a “decisão expõe os perigos da utilização de leis antiterroristas como arma contra o trabalho humanitário e de desenvolvimento legítimo”.

As acusações foram retiradas depois que o tribunal atendeu ao apelo do CERNET para rejeitar o que a decisão descreveu como um caso “insuficientemente acusado”. Os promotores apresentaram acusações de financiamento do terrorismo contra o CERNET em 2024, alegando que ele havia transferido PHP 135.000 (US$ 2.200) para o Novo Exército Popular, o braço armado do Partido Comunista das Filipinas.

O Conselho Anti-Lavagem de Dinheiro congelou as contas bancárias do CERNET em 2023, enquanto uma investigação preliminar no Departamento de Justiça estava em andamento, prejudicando sua capacidade de realizar transações no sistema bancário. Segundo Ephraim Cortez, conselheiro do CERNET, isso afetou 70% do trabalho da organização. Apesar da decisão judicial a favor do CERNET, as suas contas bancárias permanecem congeladas.

Apesar de as Filipinas terem sido retiradas da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira em Fevereiro de 2025, as autoridades continuam a apresentarnovo acusações de financiamento do terrorismo contra ativistas e processarcasos existentes envolvendo sociedade civil grupos ejornalistas. A força-tarefa e seus países membros regionais – que analisarão o histórico das Filipinas no combate ao financiamento do terrorismo e à lavagem de dinheiropróximo ano—deveria instar o governo filipino a garantir que as medidas antiterrorismo não sejam utilizadas indevidamente para atingir, assediar ou impedir sociedade civil.

📌 Fonte original

Este conteúdo foi produzido e publicado originalmente pela HRW (Human Rights Watch) — organização internacional de defesa dos direitos humanos, sem fins lucrativos, com sede em Nova York (EUA). Reproduzido aqui com fins jornalísticos e informativos.

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