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André Caramante na Folha

André Caramante trabalhou 14 anos e meio no Grupo Folha, até fevereiro de 2014. Passou pelo Notícias Populares, pelo Agora SP, onde assinou de 2001 a 2014 a coluna “Da Rua”, sobre hip hop, saraus e os movimentos das periferias, pela Folha.com, pela TV Folha e pela Folha de S.Paulo, onde ficou os últimos oito anos.

Na Folha, cobriu polícia, crime organizado e sistema de justiça. Denunciou a atuação de grupos de extermínio formados por policiais e ex-policiais em São Paulo, cobriu os ataques do PCC em maio de 2006 e a reação policial que veio depois, e manteve por anos a própria contagem de mortes cometidas por policiais militares: entre 2005 e agosto de 2012, chegou a 4.358 mortos no estado.

O tráfico no Rio (março de 2006)

“Incontrolável, tráfico cria vale-droga” (26/03/2006). Como enviado especial ao Rio, Caramante mostrou que traficantes passaram a dar uma porção de cocaína ou de maconha de brinde a cada dez compradas na boca de fumo, num esquema de promoção parecido com o das pizzarias. Leia na Folha.

O menino da boca de fumo (26/03/2006). No mesmo dia, publicou o perfil de um menino de 12 anos que trabalhava numa boca de fumo do Turano, onde 20 pessoas, sete delas menores de idade, faturavam em média R$ 1.000 por dia e pagavam R$ 2.300 por semana de propina a policiais, segundo o menino. Leia na Folha.

Os ataques de maio de 2006 e a negociação com o PCC

Maio de 2006

Foi André Caramante quem revelou, na Folha de S.Paulo de 15 de maio de 2006, que o governo de São Paulo negociava com o PCC em meio aos ataques da facção.

Segundo a reportagem, assinada só por ele, pessoas ligadas à Secretaria da Administração Penitenciária, orientadas por assessores do governador, passaram o dia 14 de maio na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, para onde 765 presos ligados à cúpula da facção tinham sido transferidos, negociando com um dos líderes do grupo. A única proposta aceita de imediato pelos dois lados foi a de que a Tropa de Choque não tentaria retomar o controle dos presídios rebelados. O governo negou a negociação na época.

Leia a reportagem na Folha

Os “Highlanders”, grupo de extermínio de PMs (2008 a 2015)

Em 23 de outubro de 2008, Caramante revelou na Folha que ao menos dez soldados do 37º Batalhão da Polícia Militar, no extremo sul de São Paulo, eram investigados sob a suspeita de integrar um grupo de extermínio que os próprios policiais chamavam de “Os Highlanders”. Desde abril, corpos de homens sem a cabeça vinham sendo deixados em Itapecerica da Serra, na divisa com a capital. Ele acompanhou o caso por mais de dois anos, em reportagens assinadas só por ele.

Em janeiro de 2009, 12 policiais militares foram presos, e três deles confessaram à Polícia Civil ter matado e degolado ao menos três pessoas. Em março, o relatório final da polícia apontou um grupo de ao menos 15 PMs e um comerciante, responsável por 12 mortes em 2008, cinco delas por decapitação. A investigação partiu da morte de um homem de 31 anos com deficiência intelectual, levado num carro da PM em outubro de 2008 e achado decapitado no dia seguinte. A família dele, ameaçada de morte, ajudou a polícia. Em julho de 2010, o júri condenou quatro policiais a 18 anos e 8 meses de prisão por essa morte. Em dezembro, os quatro foram demitidos da PM. Em outubro de 2011, o Tribunal de Justiça anulou o júri, a pedido da defesa. No novo julgamento, em novembro de 2015, os quatro foram absolvidos por 4 votos a 3, e a Promotoria anunciou que ia recorrer. Caramante, então na TV Record, cobriu o novo júri para o R7.

As reportagens da série:

Em setembro de 2020, a Ponte mostrou que o soldado Ronaldo dos Reis Santos, condenado em 2011 a 28 anos de prisão pelas mortes dos dois jovens, recebeu salário da PM até 2019, e lembrou que o grupo foi revelado por Caramante na Folha.

O “maníaco do arco-íris” (2008 e 2009)

“Polícia suspeita que serial killer matou 13” (08/12/2008). Reportagem assinada com outro repórter da Folha sobre 13 assassinatos de homens, a partir de julho de 2007, num bosque do parque dos Paturis, em Carapicuíba, na Grande São Paulo, ponto de encontro de homossexuais à noite. Doze das vítimas foram mortas a tiros, de perto, e nada foi levado delas. A polícia passou a suspeitar de um assassino em série, possivelmente ligado à área de segurança, que os investigadores chamavam de “maníaco do arco-íris”. Leia na Folha.

A reportagem levou a Polícia Civil a refazer a investigação. Caramante acompanhou o caso nas edições seguintes, quase sempre com o mesmo colega. O governo do estado pediu um relatório, a polícia passou a investigar dois ex-policiais militares e, dois dias depois da primeira reportagem, um sargento reformado da PM foi preso sob suspeita dos crimes. Ele negou as mortes. A Folha mostrou também que a principal testemunha tinha sido ignorada por quase quatro meses e que a Promotoria de Carapicuíba sabia da série de mortes desde 2007, sem ter pedido exame de balística. Em março de 2009, depois de uma 14ª morte, o caso passou para a delegacia da Polícia Civil especializada em crimes de intolerância. Em agosto, o ex-sargento voltou a ser preso. A defesa sustentava que não havia provas contra ele.

As reportagens da série:

Grupos de extermínio formados por PMs (2011)

“Relatório atribui a PMs 150 assassinatos” (25/03/2011). Reportagem sobre um relatório da Polícia Civil paulista que atribuía a grupos de extermínio formados por policiais militares, um na zona norte e outro na zona leste, 150 assassinatos na capital entre 2006 e 2010. Entre as vítimas, 61% não tinham antecedentes criminais. Os policiais apontados negavam os crimes. Leia na Folha.

Na mesma edição, Caramante publicou o depoimento da mãe de um motoboy de 30 anos que, segundo as investigações, foi torturado num quartel e morto por PMs em abril de 2010. Leia o depoimento na Folha.

Um mês depois, em maio de 2010, outro entregador morreu numa abordagem de quatro policiais militares na zona sul de São Paulo. Em 2026, o júri condenou os quatro. A história está na reportagem “O ‘mata-leão’ dos PMs e a morte do entregador”, no Da Reportagem.

A Rota e a violência policial em vídeo (2011 e 2012)

Em 2011 e 2012, Caramante publicou na Folha uma série de reportagens apoiadas em vídeos, de câmeras de segurança e de celulares, que contradiziam versões oficiais de ações da Polícia Militar paulista, a maior parte delas da Rota, a tropa de elite da corporação. As reportagens dele sobre a Rota, desde 2006, estão reunidas na página André Caramante e a Rota.

“8 PMs da Rota são filmados ao misturar droga em tambor” (19/03/2011). Imagens das câmeras de segurança de um depósito de materiais de construção mostram oito policiais da Rota misturando num tambor um pó branco que disseram ser cocaína. As imagens foram usadas para revogar a prisão de quatro suspeitos de tráfico, e a Corregedoria da PM passou a investigar a quantidade e o grau de pureza da droga apresentada. Leia na Folha.

“Versão de PM para crime é desmentida por vídeo” (2011). Imagens gravadas com um celular segundos depois de um policial militar atirar contra um homem, no feriado de 1º de maio, em Santo André, no ABC Paulista, ajudaram a desmontar a versão dada pelo policial para a morte. Na gravação, moradores chamam a ação de “execução”. Quem gravou foi ameaçado de morte.

“‘Estrebucha’, diz policial militar a baleado agonizante” (25/08/2011). Vídeo obtido com exclusividade pela Folha mostra policiais militares xingando e debochando de dois homens baleados e detidos depois de um roubo. A publicação levou à abertura de investigação sobre a conduta dos policiais. A reportagem venceu o Prêmio Folha de Reportagem de 2011. Leia na Folha.

“Vídeo reforça suspeita de emboscada da Rota em mercado de SP” (14/09/2011). Gravação de uma câmera de rua mostra policiais com uniforme da Rota chegando com calma aos fundos de um supermercado na zona norte de São Paulo, antes da ação contra ladrões de caixas eletrônicos que terminou com seis mortos, o que reforçou a suspeita de emboscada. Leia na Folha.com.

Invasão ilegal de prédio pela Rota (2012). Doze câmeras de segurança de um edifício residencial em Praia Grande, no litoral paulista, flagraram policiais da Rota armados com pistolas e metralhadoras circulando pelo prédio de madrugada, sem amparo legal, atrás de um suspeito. A reportagem foi feita em parceria com o Agora SP.

“PM mata PM” (2012). Vídeo da rodovia onde dois policiais militares morreram num tiroteio com colegas pôs em dúvida a versão oficial e levantou a suspeita de que os PMs que prenderam outro policial sob acusação de extorsão fossem, eles mesmos, os extorsionários.

Os vídeos têm cenas de violência real.

“8 PMs da Rota são filmados ao misturar droga em tambor”André Caramante · 19 de março de 2011 · 3 minImagens de câmeras de segurança mostram policiais da Rota misturando num tambor o pó que apresentaram como cocaína.
“Versão de PM para crime é desmentida por vídeo”André Caramante · 2011 · 1 minGravação de celular feita logo depois dos tiros contradiz a versão do policial para a morte de um homem em Santo André.
“‘Estrebucha’, diz policial militar a baleado agonizante”André Caramante · 25 de agosto de 2011 · 1 minAviso: imagens fortes. Vídeo que deu origem à reportagem vencedora do Prêmio Folha de Reportagem 2011.
“Vídeo reforça suspeita de emboscada da Rota em mercado de SP”André Caramante · 14 de setembro de 2011 · 2 minCâmera de rua registra policiais da Rota chegando ao supermercado antes da ação que deixou seis mortos.
Vídeo mostra invasão ilegal da Rota em prédio residencialAndré Caramante · 2012 · 2 minCâmeras de segurança registram policiais da Rota armados circulando pelo prédio de madrugada.
PM mata PMAndré Caramante · 2012 · 3 minImagens da rodovia põem em dúvida a versão oficial de um tiroteio entre policiais militares.

Suástica oculta (2013)

Fazenda-orfanato que cultivava ideais nazistas (17/02/2013). Os escombros da fazenda Cruzeiro do Sul, em Buri, no interior paulista, revelaram como o dono, de uma família rica do Rio de Janeiro, transformou a propriedade num testemunho de admiração ao nazismo nos anos 1930: os tijolos da capela eram feitos com uma suástica estampada, e havia fotografias de bois marcados a ferro com o símbolo. Leia na Folha.

Fazenda-orfanato cultivava ideais nazistasAndré Caramante · fevereiro de 2013 · 5 minOs tijolos com suástica de uma fazenda-orfanato no interior de São Paulo.

Prêmios no período

  • Prêmio Folha de Reportagem (2011), com “‘Estrebucha’, diz policial militar a baleado agonizante”.
  • Prêmio Santo Dias de Direitos Humanos (2012), Assembleia Legislativa de São Paulo. Folha, 08/11/2012.
  • Prêmio Nacional de Direitos Humanos (2013), Presidência da República.

A Folha sobre André Caramante

  • Novembro de 2012. A Folha noticia a escolha dele para o Prêmio Santo Dias de Direitos Humanos, como “repórter da Folha que cobre a área policial”. Leia.
  • Fevereiro de 2013. Depois das ameaças de 2012, ele é convidado para a primeira reunião do grupo do governo federal criado para proteger jornalistas ameaçados. Leia.
  • Janeiro de 2014. Num debate sobre jornalismo, diz que “lugar de jornalista é na rua, não na redação”. Leia.
  • Janeiro de 2015. A Folha noticia a exposição sobre o cotidiano dos presos do Carandiru feita com o material que ele ajudou a documentar dentro do presídio em 2001 e 2002. Leia e veja no Guia Folha.
  • Janeiro de 2015. Um trabalho de graduação sobre jornalistas que sofreram violência destaca o caso dele. Leia.

O caso das ameaças de 2012 está no perfil de André Caramante.

Fontes

← Perfil completo de André Caramante · A Rota · Na Record · Cultura urbana

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